
Devido à pouqusíssima grana, e falta de internet onde eu estava ficando, nao pude muito escrever esses últimos dias estando em Córdoba. Em Córdoba conheci um Suiço, que estava querendo aprender a viajar de carona, e o acaso nos colocou frente a frente. Ele ficou bastante empolgado. ´Estou com um profissional!´. O processo foi simples...
Marcamos de sair no dia ´lunes´ (segunda-feira), pois em fim de semana é extremamente difícil viajar. Um senhor, caminhoneiro, havia me prometido de me levar até Mendoza, e me deu um nome de um hotel onde ele estava. Marquei de vê-lo domingo. Fui com o Jonas, meu amigo, visitá-lo, porém nao havia ninguém hospedado no hotel. Bem, estávamos na estaca 0 novamente.



Marcamos bem ´temprando´ (cedo) na segunda; marcamos de 6:00 horas, que em Córdoba, quer dizer que ainda está totalmente escuro o céu. Nos encontramos exatamente as 6:00. Caminhamos mais ou menos 1km e meio, até a parada de ônibus, e tomamos um ônibus por 4 pesos que nos ia deixar na ruta 5 com a ruta 36, o que já era um bom adianto. Viajar, sendo dois homens, é a modalidade mais difícil. Eu sei do grau de dificuldade... mas, porque nao? Por uma sorte danada pegamos o primeiro caminhao em menos de 20 minutos. Tinhamos uma plaquinha indicando ´S. Agustin´ (a uns 50km), e outra escrito ´Por Favor´. Se juntar eu, o Jonas, a minha mochila, e a dele, ocupamos um espaço enorme, o que complica enormemente as chances de conseguir uma carona... mas, seguimos... A primeira carona nos deixou um pouco depois que S. Agustin, de lá caminhamos uns 2km ou um pouco mais para a nossa ruta, que ia para Rio Cuarto. No caminho até a nossa ruta (pois tinha uma encruzilhada), pedimos carona, mas ninguém parou.
Uma coisa importante quando se pega carona, é garantir que está em uma saída, pois se etá em uma entrada, ou nao está na última saída, muitos carros nao vao para onde você quer.
Na estrada pra Rio Cuarto, demoramos um pouco mais, e o sol começou a castigar. O castigo foi mais severo com meu amigo, que nasceu para viver no gelo da Suiça. Enquanto pediamos carona no nosso ponto, mais a atrás tinha um outro ponto, onde umas duas pessoas pediram carona também. Aqui na Argentina, quase em todos os lugares que parei, vi gente pedindo carona. Porém, todos sem mochila.


Nossa carona pra Rio Cuarto chegou, e nos levou exatamente para Rio Cuarto. Onde paramos e comemos nossos sandwiches. E foi lá que aprendi a montar cavalo, em um pangaré que encontrei na beira da estrada (...). De Rio Cuarto, deveriamos caminhar até a Ruta 8, mas na insistência conseguimos uma caminhonte que ia para lá, e nos levou os 4 ou 5km que faltava.
Na Ruta 8, esperamos um bom tempo, e nada. Trocamos de ponto, e nada. Alguns caroneiros tentaram em outros pontos, e até desistiram. Havia caminhao, mas, ninguém parava. Mudamos de ponto, para um lugar onde o caminhoes paravam pra comprar coisas. Foi bizarro, eu falando espanhol com um brasileiro, e o Jonas tentando me avisar que ele era brasileiro, e só me dei conta quando ele foi embora, talvez tinha sido nossa carona perdida! Mas um pouco depois, perguntei a um rapaz bonito sobre poder nos levar até a Ruta 7, e ele rapidamente se prontificou a nos levar. Era um Mendocino, iria para Villa Mercedes, encruzilhada entre a ruta 8 e 7. Iria para Mendoza, mas nao sabia quando. E lá fomos nós.




Na ruta 7, caminhamos uns 5km ou mais, até um posto de gasolina da rede YPF. E pela primeira vez na Argentina, encontrei um posto com água potável fria e quente, e banho de graça. Tinha uma grama boa pra acampar também. Mas antes de ir no posto, tentamos desesperadamente nossa última carona, que parecia praticamente impossível, e nao sei o motivo! Decidimos descansar no posto, onde conseguimos guardar as mochilas e entrar na cidade afim de encontrar comida. Fizemos um grande sandwiche de bana (!), e compramos pao pra o almoço do dia seguinte... Na volta, procuramos um lugar pra acampar no posto, e o que encontramos: uma mesa nos fundos do posto, com uns 20 caminhoneiros ouvindo cúmbia, chacarera e outros rítimos típicos daqui... Estavam comendo um assado ao melhor estilo argentino, com muito vinho dos bons! Terminamos de montar as barracas (2) e nos convidaram para a festa! Juro que comi um pedaço de carne do tamanho do meu rosto... e tomei uma mistura de vinho com refrigerante (que parecia nunca acabar) em uma quantidade que nem desconfio qual. Sei que comi o máximo que pude, e olhei pra o Jonas, que estava já praticamente pendurado na cadeira... Eu já estava falando alto na mesa, e sorrindo pra caramba, quando notei que estava falando em inglês com o Jonas... Conversamos um pouco em inglês e entendemos que estávamos bebados e deveriamos nos recolher no acampamento... Assim fizemos, pedimos licença e fomos dormir bastante tondo (que bom que consegui abrir a portinha da barraca!).

No dia seguinte, tivemos uma manha dura de carona. Ninguém parou! Tentamos de tudo... Todas as placas possíveis, escrevemos em suiço, em esperanto, pedimos por favor, escrevi que sou brasileiro, que meu amigo é suiço, fiz desenhos... Nossa aptidao artística amanheceu em alta, mas as caronas... nada. Definitivamente era um ponto aparentemente bom, mas se revelou um péssimo ponto. Entao decidimos adiantar um pouco mais. E caminhamos mais ou menos 1km, e antes de escolher um ponto, uma caminhonete aos pedaços parou, e nos adiantou 38km. Onde finalmente fomos pra um bom ponto, em frente a um posto bom e com bastante caminhao, inclusive parado nos dois lados da ruta. Mas tudo isso nao significa que foi fácil pra nós dois, que apesar de tudo, somos DOIS HOMENS. Almoçamos os sandwiches de tomate com queijo, e conseguimos convencer um Mendocino a nos levar até Mendoza. Suspeito que o nosso sotaque de estrangeiro o convenceu!





O caminho foi um verdadeiro deserto... A frente vimos as pré-cordilheiras... E seguimos em meio ao calor de 40 graus ou mais! Era um inferno de poeira, calor e asfalto, sem nenhuma cidade (depois de San Luis). Em fim chegamos a Mendoza, um oasis no deserto. A cidade das águas, aqui tem água pra todo lado. Existe um sistema de irrigaçao muito inteligente aqui, onde há água corrente em quase todos os meios fios, irrigano as árvores da cidade. Toquei na água e é bastante fria; apesar de ser bem transparente, acho que nao é potável. Também há aqui bebedores públicos nas praças!
Nesse primeiro dia em Mendoza, procurei na internet um refúgio da igreja católica, pra irmos dormir a noite, já que nao tinhamos onde ficar. Encontro um endereço, e quando chego lá, descubro que é uma igreja e nao um refúgio, e ainda por cima está fechada! Procuramos uma praça pra acampar, sobre o protesto de Jonas, que achou surreal demais acampar no meio de uma cidade, para mim isso nao era mais novidade... Depois de todo um processo de diálogo, consegui convencê-lo a tal coisa. Eu estava completamente liso (mas meu amigo nao!)(...).



De manha Jonas entregou os pontos, e já estava fazendo planos de abandonar seu querido professor de estrada... Até que tive a brilhante idéia de pedir 35 pesos emprestados pra pagar sei lá como, pra dormir com ele num Albergue. O bom foi que vendi algumas coisas ao recepcionista do albergue, e paguei metade da minha estadia, vendi também uma pulseira ao jonas, e agora me faltam só 10 pesos, que espero conseguir fácil hoje mesmo! E por fim... Encontrei um lugar pra ficar aqui pertinho, na casa de um rapaz que viajou pelo nordeste e temos um amigo em comum, mas nao pude ficar, lá.... porém ele me indicou uma amiga muito gente boa, onde estou agora!
Próxima parada Chile, Santiago...
400km sobre a Crodilheira dos Andes!